Abu Dhabi – À velocidade de um F1

Posted on Dez 25, 2012 in Travels | 0 comments

 

 

Os gritos que se ouvem enquanto espero na fila para experimentar a Formula Rossa, a atracção mais concorrida do parque temático Ferrari World, podem ser desencorajadores, mas quando passo a barreira de segurança, entre a vergonha da desistência e o arrepio na espinha do que está por vir, fico pelo segundo.

A maioria dos aventureiros são homens de dishdashas — o traje nacional masculino, uma túnica branca — e adolescentes que não medem o risco. Cada viatura é ocupada por quatro passageiros — já não bastava a estranheza de ser mulher, ainda mais uma ocidental de jeans… O episódio arranca-lhes sorrisos e excesso de confiança. É hora de apertar os cintos, avisam. E suster a respiração, suponho.

O carro começa a andar vagarosamente sobre os carris da montanha-russa, mas isso dura apenas uma fracção de segundo, mal sai do primeiro túnel por uma recta que parece interrompida um pouco mais adiante ganha uma velocidade indiscritível: 240km/h em cinco segundos, consegue imaginar? Não há palavras. O estômago embrulha-se, a cabeça fica zonza, falta o ar, o cinto um pouco largo dá a sensação de queda-livre em cada curva que ficamos de pernas para o ar… A  Formula Rossa, a montanha-russa mais rápida do mundo, é adrenalina em estado puro. Mas sobrevivi. E, no final, até apetece repetir a proeza.

Localizado na Yas Island, uma ilha artificial a 30 minutos do centro de Abu Dhabi, o Ferrari World ganha outra expressão quando visto dos céus, em que uma mancha encarnada se espalha pela paisagem íngreme em volta. Este é um dos locais preferidos para os programas em família dos locais pela variedade de diversões que oferece, para todas as idades.

A Galleria Ferrari a maior mostra da frota da marca italiana fora da sua casa-mãe, em Maranello; os simuladores de corridas 4D; a sala de cinema onde se exibe Coppa di Sicilia, o filme que conta a história de Enzo Ferrari; o espaço The Racing Legenda, que revisita os circuitos mundiais, da Mille Miglia, Les Mans, Daytona, entre outros, aos grandes pilotos, como o austríaco Niki Lauda, o brasileiro Ayrton Senna, o canadiano Jacques Villeneuve ou o alemão Michael Schumacher;  os restaurantes italianos; e a, igualmente, vertiginosa G-Force, que permite uma subida a 62 metros de altura — desde onde se pode contemplar as luzes de Abu Dhabi, ao longe, e admirar o edifício do parque — para cair… no vazio. São as mesmas emoções fortes que se experimentam ao volante de um Ferrari que fazem deste parque um dos mais visitados do Médio Oriente.

Abu Dhabi é ainda uma miragem. Nas areias do deserto, gruas e máquinas instalam-se como se de exércitos se tratasse. Os planos de crescimento da capital dos Emirados Árabes Unidos são ambiciosos. Os nomes maiores da arquitectura mundial foram chamados a assinar os novos edifícios em Saadiyat Island, o distrito cultural que vai nascer até 2018: Jean Nouvel concebeu a versão árabe do Museu do Louvre, Frank Gehry o Guggenheim, Tadao Ando o Museu Marítimo e Zaha Hadid o Centro de Artes Performativas. O objectivo é aproveitar o turismo como um filão, à semelhança do que aconteceu com o vizinho Dubai. O responsável máximo do Turismo de Abu Dhabi credita que “o melhor veículo para atravessar fronteiras é a arte. Esta região precisa de se dinamizar artisticamente”. E sem constrangimento de espaço, todos os devaneios arquitectónico cabem aqui.

 

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